O objetivo último da evangelização não é a transmissão de uma doutrina, mas o encontro com uma pessoa, Jesus Cristo. A possibilidade de tal encontro cara a cara depende do fato de que, ressuscitado, Jesus está vivo e quer andar ao lado de cada crente, do mesmo jeito que andou ao lado dos dois discípulos na estrada para Emaús; mais ainda, do mesmo jeito que estava presente no coração de ambos quando eles voltavam para Jerusalém, depois de recebê-lo na partilha do pão.
Por misericórdia, Tu nos lavaste no Sangue; por misericórdia, quiseste conversar com as criaturas. Ó Louco de amor! Não te bastou encarnar-te, mas quiseste também morrer!
Como protestante, a minha religião parecia-me miserável, mas não a minha vida. E agora, como católico, a minha vida é miserável, mas não a minha religião.
Ó meu Deus, fazei que cada batida de meu coração seja uma súplica para alcançar graça e perdão para os pecadores. Que cada uma de minhas respirações seja um apelo à Tua infinita misericórdia, que cada olhar meu atraia para Vós as pessoas que eu fitar e lhes revele o Teu amor. Que o alimento de minha vida seja trabalhar sem descanso pela Tua glória e pela salvação das almas. Amém.
Precisamos contemplar o mistério da misericórdia divina por ser fonte, condição, revelação e ação do amor de Deus por nós, que se fez para nós lei e caminho em nossa relação com Ele e os outros.
Nosso Senhor foi calcado pela morte mas, por sua vez, esmagou-a como quem soca com os pés o pó da estrada. Sujeitou-se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer. Nosso Senhor saiu para o Calvário carregando a cruz, para satisfazer as exigências da morte; mas, ao soltar um brado do alto da cruz, fez sair os mortos dos sepulcros, vencendo a oposição da morte.
Ele saúda os seus discípulos com estas palavras: “A paz esteja convosco”, mostrando que Ele próprio é a paz. Pois aqueles a quem Se apresenta recebem um espírito perfeitamente pacificado e tranqüilo.
Quem quiser tocar o Senhor deve de antemão, na sua fé, colocá-Lo à direita de Deus, e o seu coração, em vez de O procurar entre os mortos, deve tê-Lo no Céu, uma vez que o Senhor subiu para o Pai e está sempre com o Pai.
Na Paixão e morte de Cristo, os nossos pecados foram apagados. Se acolhermos com fé essa verdade, aceitando fielmente, e sem reservas, o Cristo por inteiro, de modo a escolher e trilhar o caminho da imitação de Cristo, Ele, através de sua Paixão e morte nos conduzirá à glória da ressurreição.
Cristo ressuscitou e os demônios foram precipitados! Cristo ressuscitou e os anjos estão em júbilo! Cristo ressuscitou e já não há mortos nos túmulos porque Cristo, ressuscitado dos mortos, tornou-se as primícias dos que tinham adormecido. A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.
Ó Vigília recheada de esperança, que exprimes em plenitude o sentido do mistério! Ó Vigília rica de símbolos, que manifestas o coração mesmo da nossa existência cristã! Nesta noite, tudo se resume prodigiosamente num nome: o nome de Cristo ressuscitado.
Aproxima-se o Tríduo Pascal. Nós, católicos, meditamos mais profundamente o maior evento da história da humanidade: Cristo se sacrifica por nós, na cruz, consumando o projeto de Salvação de Deus.
“Amou-os até o fim”. Resgatou-nos das trevas de nosso egoísmo, carregou consigo todas as nossas amarguras, sentiu na carne a dor de nossas escolhas erradas, de nosso passado tempestuoso.
Em um ocidente cada vez mais descristianizado e até mesmo intolerante ao seu Senhor, lembremo-nos que Cristo morreu desprezado, caluniado e abandonado. Se as pessoas o abandonam hoje, o abandonaram em seu tempo. Se as pessoas hoje o desprezam, o fizeram naquele momento de pavor. Se Cristo foi vítima de mentiras e ardis, também o é hoje Sua Igreja, Seu Corpo Místico.
O homem torna-se cada vez mais indiferente a Deus, mas sua angústia só aumenta, enquanto Deus mantém-se em silêncio eloqüente, tal como no Sábado Santo. O ocidente desmorona e não se dá conta disso, tal como diante da perfídia, do escárnio e da indiferença o Cristo era torturado e morto sem que aquelas pessoas não tivessem a menor idéia do que estava acontecendo.
O abandono do cristianismo, para o ocidente, significa perder o próprio chão. O que vem depois é a barbárie. A beleza e o encantamento se esvaem, só restando a busca desenfreada por qualquer tipo de entorpecente que alucine o homem e mitigue a dor advinda do pecado original.
Sem Cristo, perderemos a beleza da vida e a própria noção do que seja existir. Dizendo de uma maneira mais clara, perderemos a alegria de viver. Perderemos a doçura e a gratuidade do amor, que vêm Dele e não podem vir de mais ninguém.
Que esse Tríduo Pascal seja uma oportunidade para nos aproximarmos de Cristo e da beleza que dele advém. Que seja um momento para refletirmos sobre a beleza do seu rosto tão machucado, seu corpo chagado e destruído, seu semblante sempre sereno. Dessa tragédia, emerge a redenção de nossos pecados e nossa salvação. Desse desastre, surge a inspiração para obras que tocam profundamente o coração de qualquer pessoa minimamente ainda sensível à beleza. E a magnitude de “A Paixão segundo São Mateus”, de Bach, transmite-nos hoje a mensagem do que estamos deixando de contemplar ao abandonar Cristo sozinho em sua Paixão redentora: estamos desistindo de nós mesmos, vivendo em trevas, sob o risco da escuridão eterna.
Ele inclina-Se perante eles como uma criança; inclina-Se e lava-lhes os pés. Que humildade incompreensível, que bondade inexprimível! Aquele que os anjos do céu adoram está aos pés destes pescadores! Esta face que faz tremer os anjos inclina-Se sobre os pés destes pobres!
Grandes foram os pecados de Judas e de Pedro. Os dois atraiçoaram o Mestre: um entregando-o nas mãos dos perseguidores, outro negando-o por três vezes. E, no entanto, que diferente reação teve cada um! Para os dois o Senhor guardava torrentes de misericórdia.
Quando pensamos no papel negativo desempenhado por Judas devemos inseri-lo na condução superior dos acontecimentos por parte de Deus. A sua traição levou à morte de Jesus, o qual transformou este tremendo suplício em espaço de amor salvífico e em entrega de si ao Pai.
Maria Madalena parece ter previsto, por inspiração divina, que mais tarde não lhe seria dado prestar as honras da sepultura ao Divino Salvador, e por isso o faz de antemão. Deixai-a, pois sempre teremos pobres a quem socorrer, e nem sempre teremos ocasião de dar a Deus o tributo da nossa generosidade.
Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério de nossa salvação.
Somos comparáveis a anões encavalitados sobre os ombros de gigantes (os Antigos)ː vemos portanto mais coisas do que eles viram e vemos mais longe do que eles. Qual a razão disto? Não é nem a acuidade do nosso olhar, nem a superioridade da nossa altura, mas porque somos transportados e elevados pela alta estatura dos gigantes.
Como verdadeiro homem, choras sobre Lázaro; como verdadeiro Deus, ressuscitas pela tua vontade aquele que estava morto há quatro dias… Tem piedade de mim, Senhor; muitas são as minhas transgressões. Traz-me de volta, te suplico, do abismo dos males em que me encontro. Foi por ti que eu gritei; escuta-me, Deus da minha salvação.
A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto.
Ser enamorados por Deus, enquanto experiência, é ser enamorados de uma maneira que não conhece limite algum. Cada amor é doação de si, mas ser enamorados por Deus é ser enamorados sem limites, nem restrições, nem condições, nem reservas.
Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.