O Tríduo Pascal e a beleza que emerge em “A Paixão segundo São Mateus”, de Bach

Aproxima-se o Tríduo Pascal. Nós, católicos, meditamos mais profundamente o maior evento da história da humanidade: Cristo se sacrifica por nós, na cruz, consumando o projeto de Salvação de Deus.

“Amou-os até o fim”. Resgatou-nos das trevas de nosso egoísmo, carregou consigo todas as nossas amarguras, sentiu na carne a dor de nossas escolhas erradas, de nosso passado tempestuoso.

Em um ocidente cada vez mais descristianizado e até mesmo intolerante ao seu Senhor, lembremo-nos que Cristo morreu desprezado, caluniado e abandonado. Se as pessoas o abandonam hoje, o abandonaram em seu tempo. Se as pessoas hoje o desprezam, o fizeram naquele momento de pavor. Se Cristo foi vítima de mentiras e ardis, também o é hoje Sua Igreja, Seu Corpo Místico.

O homem torna-se cada vez mais indiferente a Deus, mas sua angústia só aumenta, enquanto Deus mantém-se em silêncio eloqüente, tal como no Sábado Santo. O ocidente desmorona e não se dá conta disso, tal como diante da perfídia, do escárnio e da indiferença o Cristo era torturado e morto sem que aquelas pessoas não tivessem a menor idéia do que estava acontecendo.

O abandono do cristianismo, para o ocidente, significa perder o próprio chão. O que vem depois é a barbárie. A beleza e o encantamento se esvaem, só restando a busca desenfreada por qualquer tipo de entorpecente que alucine o homem e mitigue a dor advinda do pecado original.

Sem Cristo, perderemos a beleza da vida e a própria noção do que seja existir. Dizendo de uma maneira mais clara, perderemos a alegria de viver. Perderemos a doçura e a gratuidade do amor, que vêm Dele e não podem vir de mais ninguém.

Que esse Tríduo Pascal seja uma oportunidade para nos aproximarmos de Cristo e da beleza que dele advém. Que seja um momento para refletirmos sobre a beleza do seu rosto tão machucado, seu corpo chagado e destruído, seu semblante sempre sereno. Dessa tragédia, emerge a redenção de nossos pecados e nossa salvação. Desse desastre, surge a inspiração para obras que tocam profundamente o coração de qualquer pessoa minimamente ainda sensível à beleza. E a magnitude de “A Paixão segundo São Mateus”, de Bach, transmite-nos hoje a mensagem do que estamos deixando de contemplar ao abandonar Cristo sozinho em sua Paixão redentora: estamos desistindo de nós mesmos, vivendo em trevas, sob o risco da escuridão eterna.

“Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.”

Feliz Páscoa.

Mensagem do dia (12/04/2017)

Grandes foram os pecados de Judas e de Pedro. Os dois atraiçoaram o Mestre: um entregando-o nas mãos dos perseguidores, outro negando-o por três vezes. E, no entanto, que diferente reação teve cada um! Para os dois o Senhor guardava torrentes de misericórdia.

Dom Javier Echevarría.

Mensagem do dia (10/04/2017)

Maria Madalena parece ter previsto, por inspiração divina, que mais tarde não lhe seria dado prestar as honras da sepultura ao Divino Salvador, e por isso o faz de antemão. Deixai-a, pois sempre teremos pobres a quem socorrer, e nem sempre teremos ocasião de dar a Deus o tributo da nossa generosidade.

Dom Duarte Leopoldo.

Mensagem do dia (06/04/2017)

Somos comparáveis a anões encavalitados sobre os ombros de gigantes (os Antigos)ː vemos portanto mais coisas do que eles viram e vemos mais longe do que eles. Qual a razão disto? Não é nem a acuidade do nosso olhar, nem a superioridade da nossa altura, mas porque somos transportados e elevados pela alta estatura dos gigantes.

Bernardo de Chartres.

Mensagem do dia (02/04/2017)

Como verdadeiro homem, choras sobre Lázaro; como verdadeiro Deus, ressuscitas pela tua vontade aquele que estava morto há quatro dias… Tem piedade de mim, Senhor; muitas são as minhas transgressões. Traz-me de volta, te suplico, do abismo dos males em que me encontro. Foi por ti que eu gritei; escuta-me, Deus da minha salvação.

São João Damasceno.

Mensagem do dia (26/03/2017)

Que prodígio é maior: criar o globo do sol ou recriar os olhos do cego de nascença? No seu trono, o Senhor fez brilhar o sol; ao percorrer as praças públicas da Terra, permitiu ao cego a visão. A luz veio sem ter sido pedida, e sem quaisquer súplicas o cego foi libertado da sua enfermidade de nascença.

Homilia anônima do século V ou VI.

Mensagem do dia (19/03/2017)

Cristo, que é a fonte, sentado ao pé do poço, faz jorrar milagrosamente, nesse mesmo lugar, as águas da misericórdia; e uma mulher que já tinha tido seis amantes é purificada pelas torrentes de água viva. Que grande maravilha: uma mulher leviana, que vem buscar água ao poço da Samaria, vai-se embora casta, depois de beber da fonte de Jesus! Tendo vindo buscar água, regressa com a virtude: confessa de imediato os pecados a que Jesus alude, reconhece a Cristo e anuncia o Salvador.

São Máximo de Turim.