Podcast Olavo de Carvalho: Deus transcendente é a idéia fundamental da razão

Na última edição do True Outspeak deste ano de 2008, Olavo de Carvalho comenta sobre a origem da idéia da razão, na Grécia antiga, demolindo um velho preconceito presente no establishment intelectual ateu, muito em voga hoje em dia: a falácia de que a fé é irracional e, por conseguinte, está relacionada ao atraso e à ignorância.

Henrique Garcia me pergunta: “Qual sua opinião sobre certas correntes de idéias, presentes sobretudo no meio liberal, que trabalham incessantemente por achincalhar a fé face à razão, atribuindo-a ao obscurantismo, quando não à irracionalidade pura e simples?” Olha aqui, Henrique: o pessoal que faz isso só mostra que é um bando de ignorantes, eles não sabem nem o sentido da palavra razão. A idéia da razão surge na Grécia exatamente como, vamos dizer, a tendência da alma para a contemplação do transcendente. É só a idéia do transcendente que permite o surgimento da razão. A idéia de um Deus transcendente é a idéia fundamental da razão, idéia que na verdade era impossível numa fase anterior da civilização, onde tinha aquela idéia dos “deuses espalhados” aí pela natureza, deuses mais ou menos fundidos na natureza. Na hora em que a idéia da divindade se destaca da natureza cósmica e se abre para a mente humana a idéia do Deus transcendente, do Deus que está para lá do universo, um Deus absolutamente invisível, infinito, aí é que começa a razão, isso é a base da razão. Agora, esses idiotas nem sabem o que é razão!

Para ouvir o programa na íntegra (uma hora de duração, aproximadamente), baixe o arquivo aqui. Novamente, uma observação aos desavisados: não se assustem com a quantidade de palavrões disparados pelo locutor!

Mensagem do dia (30/12/2008)

Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer inerme e vir ter conosco como menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é tão bom que renuncia ao seu esplendor divino e desce ao estábulo para que O possamos encontrar e, assim, a sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. Isto é o Natal.

Papa Bento XVI.

Bento XVI: “Deus é a verdadeira origem da paz no mundo”

Durante sua homilia de Natal, o Papa Bento XVI explicou que, em qualquer lugar onde Deus esteja, “existe paz”. “Ao nascer como uma criança”, o Pontífice continuou, “Cristo trouxe amor ao mundo, para que aqueles que se aproximarem dele possam ser portadores de sua paz”.

O Santo Padre prosseguiu sua homilia pedindo aos presentes que rezassem pelas crianças do mundo, especialmente aquelas que são vítimas da violência, de abusos ou pornografia.

A Criança de Belém nos convoca novamente a fazermos tudo o que estiver em nosso alcance para colocar um fim no sofrimento dessas crianças; para fazer todo o possível para que a luz de Belém toque o coração de cada homem e mulher. Somente através da conversão de corações, somente através de uma mudança nas profundezas de nossos corações, a causa de todos esses  males será superada, só assim o poder do mal será derrotado. Somente se as pessoas mudarem, o mundo irá mudar; e para mudar, as pessoas precisam da luz que vem de Deus, a luz que tão inesperadamente entrou em nossa noite.

A íntegra do texto da homilia (em inglês) está aqui, no site da CNA, a versão em inglês do site da ACI Digital.

Reinaldo Azevedo: “Que Deus é este?”

Reinaldo Azevedo é um dos mais importantes jornalistas do país. Colunista da revista Veja, ele nos brinda na edição desta semana com uma reflexão lúcida e pouco comum na imprensa brasileira: referindo-se ao interminável genocídio em Darfur, no Sudão, matéria de capa da publicação, Reinaldo defende que “a escolha do Mal” significa “a renúncia a Deus”.

Um texto tão belo não precisa de nenhum comentário. Segue o primeiro parágrafo:

Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, “Senhor Deus dos Desgraçados” (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio… Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das “espectrais procissões de braços estendidos”, como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado…

O texto está disponível para assinantes da revista Veja. Mas quem não for assinante, pode ler o texto aqui, no blog Brasil Acima de Tudo – que diariamente publica online textos sempre interessantes dos principais jornais e revistas do país.