O rei não exigiu uma vestimenta preciosa, mas meramente uma roupa decente, como qualquer uma que os convidados pudessem ter vestido antes de comparecer à festa. Na parábola, a vestimenta nupcial não representa apenas a fé, mas, principalmente, a graça santificante; secundariamente, todos aqueles dons e características necessariamente pressupostos ou relacionados à graça santificante, como a habitação do Espírito Santo, as virtudes infusas, o conhecimento e o amor a Cristo, a regeneração interna pelo Espírito Santo, uma vida verdadeiramente cristã de justiça e santidade. «Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?», sabendo muito bem que, fazendo-o, me insultarias, a mim, a meu filho e aos outros convidados? Se o rei tivesse providenciado vestes para todos os convidados, os servos provavelmente teriam sido responsáveis pelo traje decente de todos os presentes. […] Atenção para a dignidade serena das palavras do rei, que não profere uma censura, mas apenas constata o fato. «Mas ele permaneceu em silêncio» mostra […] que nenhuma desculpa terá valor algum no julgamento divino e […] que Deus não condenará nenhum homem que não tenha se condenado previamente. Aqui vemos novamente que haverá mal misturado com o bem na Igreja até o tempo do juízo. «Amarrem-lhe as mãos e os pés», para que ele não possa escapar do seu lugar de castigo, onde todos aqueles que aqui suportaram voluntariamente os laços das suas paixões pecaminosas serão amarrados contra a sua vontade; «escuridão exterior» alude à sala de jantar bem iluminada, fora da qual havia uma escuridão intensa; o contexto mostra que o castigo do convidado não consistia meramente em ser privado do banquete.
Padre Anthony John Maas.
